A iluminação em áreas classificadas foi por muitos anos, baseada no uso exclusivo de luminárias Ex d, caracterizadas pelo invólucro robusto, capaz de suportar uma possível explosão em seu interior e sem permitir que ela se propagasse para o exterior. Estas luminárias ainda hoje são disponibilizadas no mercado, haja vista sua robustez e baixo OPEX, uma vez que em caso de defeito, componentes internos podem ser repostos por versões industriais, não-Ex.
Geralmente construídas em alumínio fundido, as luminárias Ex d [1] eram muito comuns com lâmpadas fluorescentes (Figura 1).

Figura 1: Luminária fluorescente Ex d, muito utilizada nas plataformas de petróleo offshore na década de 80.
A EVOLUÇÃO
A tecnologia na iluminação industrial tem evoluído continuamente, e surgiram diversas novas opções [2], como:
- – Indução: É uma tecnologia de lâmpada com vida útil longa (cerca de 100.000 horas) por não ter filamentos. Tem bom IRC (50-90), boa eficiência luminosa (60-90 lm/W) e destaca-se pela ampla faixa de temperaturas que pode ser usada: de – 80 oC a + 68 oC;
- – LEP (Light Emitting Plasma): É uma tecnologia que apresenta alta eficiência energética, com uma lâmpada acionada por alta frequência e sem eletrodos, e de vida útil longa (cerca de 100.000 horas). Tem bom IRC (50-90) e boa eficiência luminosa (60-90 lm/W);
- – LED (Light Emitting Diode): é uma fonte de luz de “espectro total”, sem lacunas no espectro de cores. Possui um bom IRC (70-90) e a mais alta eficiência (até 150 lm/W) das fontes de luz branca. LED emitem luz unidirecional, permitindo que a estrutura ótica da luminária seja mais simples. A vida útil pode chegar a 100.000 horas, e no momento, é o tipo dominante no mercado.
A CERTIFICAÇÃO INMETRO Ex
Para a segurança das instalações e das pessoas, o INMETRO publicou em 1991 a Portaria 164 (16/7/1991), que estabeleceu a certificação de conformidade compulsória para todos os equipamentos elétricos e eletrônicos destinados às áreas classificadas, incluindo as luminárias [3].
Os fabricantes dos equipamentos para áreas classificadas, como as luminárias da Figura 1 (que até então eram especificadas nos projetos porque no catálogo estava escrito que eram “à prova de explosão”), receberam um prazo de seis meses para certificar seus produtos, o que na prática mostrou ser um prazo inviável (muito menor que o definido posteriormente na Diretriz ATEX 94/9/CE [4], de 1/3/1996 a 1/7/2003 – 7 anos). Além disso, o preço dos certificados levou a práticas comerciais distorcidas. Por exemplo: houve casos que um fornecedor, ao receber o pedido de cotação de uma unidade seladora, emitia sua proposta com o preço da peça (R$ 20,00) somado ao preço do certificado (R$ 500,00), o que colocava uma única unidade seladora custando R$ 520,00! Um grave equívoco, uma vez que o certificado era válido para todas as unidades produzidas de um dado modelo de equipamento Ex, e não apenas para cada unidade fabricada.
Em 1993 o INMETRO, atento às reações no mercado, publicou a Portaria 39 (5/3/1993), e estabeleceu um novo prazo para a certificação de produtos Ex, bem como passaram a ser considerados válidos os relatórios de ensaios feitos no IEE da USP, como comprovação de atendimento dos equipamentos Ex às normas, equiparando-os aos certificados de conformidade.
IMPACTOS NO MERCADO
A compulsoriedade da certificação de conformidade Ex impactou o mercado e exigiu organizar iniciativas para conscientizar e para esclarecer as novas regras, à toda comunidade técnica, envolvendo usuários e fabricantes.
Por exemplo, a Petrobras/RPSE (Macaé) instituiu o RPSEx, um Grupo de Trabalho Permanente, constituído por engenheiros das Divisões de Manutenção, de Engenharia e de Suprimento, que foi designado a dar apoio aos órgãos da Região no tema atmosferas explosivas (treinamentos, processos de compras [5], ensaios em fábrica, classificação de áreas, manutenção [6] e inspeções em instalações). A Petrobras/Susema (Sede), planejou treinamentos sobre instalações Ex para toda a empresa, e publicou o Inform-Ex [7], um informativo dedicado ao tema e distribuído por malote aos profissionais das unidades espalhadas em todo o país.
O ESFORÇO CONJUNTO
Neste novo cenário do mercado brasileiro, onde os equipamentos Ex nacionais demonstraram sua qualidade atestada pelos ensaios normativos, destacou-se a intensa dedicação de determinados profissionais, na época vinculados a grandes usuários, a fabricantes e a laboratórios de ensaios, em prol do amadurecimento da conscientização Ex.
E este esforço não foi esquecido! Fabricantes brasileiros de equipamentos Ex prestaram uma singela homenagem, batizando alguns de seus equipamentos Ex com as iniciais daqueles pioneiros. A Maccomevap possui, dentre suas luminárias e projetores LED Ex [8], modelos que fazem referência a representantes do órgão regulamentador [MAS], de laboratórios de ensaios [GHB e CAS], de grandes usuários [DMJ e ERJ (Figura 2)], e de fabricantes [NMM], que foram protagonistas naquela época. A Sermatex Grün lançou sua linha de luminárias LED Ex [9] com modelos que referenciam um então representante de grande usuário [DMJ-C e DMJ-E].
Tal sinergia entre profissionais brasileiros, em prol da segurança de nossas instalações industriais e da elevação do conceito dos produtos nacionais no mercado internacional, é que promove o engrandecimento do país e da nossa Engenharia!
Como exercício aos leitores, coloquem nos comentários os nomes completos dos profissionais Ex que correspondem às iniciais referenciadas nos modelos de equipamentos Ex citados neste artigo.
Por Estelito Rangel Jr. em 29/09/2026.
