INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO | Por Paulo Barreto
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS EM LOCAIS DE AFLUÊNCIA DE PÚBLICO:
REQUISITOS ESPECÍFICOS
Publicada pela primeira vez em fevereiro/1996, com segunda revisão publicada em 08/12/2021, essa norma apresenta requisitos para instalações elétricas em locais de afluência de público. Locais esses definidos na própria norma e que são caracterizados por possuírem certa dificuldade para as pessoas conseguirem abandoná-los em segurança, em condições de incêndio. Os locais considerados como sendo de afluência de público são muitos e indicados no Anexo A da NBR 13570.
A seguir são apresentados os principais requisitos da NBR 13570.
DEFINIÇÕES
Inicialmente, e importante entender dois termos muito empregados na norma quando se tratar de local de afluência de público:
• Ambiente acessível ao público: ambiente no qual e prevista a presença do público, nas condições normais de funcionamento e operação do local.
• Ambiente não acessível ao público: ambiente no qual não é prevista a presença do público, nas condições normais de funcionamento e operação do local. Tais como, áreas administrativas, salas técnicas e ambientes análogos.
Portanto, muito cuidado com as distinções de “local” de afluência de público e “ambiente” acessível ou não acessível ao público.
LINHAS ELÉTRICAS
Só devem ser utilizados fios e cabos de cobre. Ou seja, não se admite fios e cabos de aluminio.
Em todos os ambientes acessíveis e não acessíveis ao público os cabos devem ser livres de halogênio e com baixa emissão de fumaça e gases tóxicos (LSHF), independentemente do tipo de conduto. Caso haja conduto aparente, este também deve ter essa mesma característica.
PROTEÇÃO CONTRA CHOQUES ELÉTRICOS
Em escolas, creches, locais de ensino e/ou práticas de esportes individuais ou coletivos e locais análogos, todos os tipos de circuitos em ambientes acessíveis ao público devem ser protegidos por dispositivo DR com IΔn ≤ 30 mA, independentemente do esquema de aterramento adotado. Podem ser excluídos desse requisito os pontos de tomada de corrente destinados aos circuitos de aparelhos de refrigeração (por exemplo, geladeira e freezer).
OUTROS TÓPICOS
Quadros de distribuição e quadros de distribuição terminal instalados em ambientes acessíveis ao público devem ter involucro metálico ou, se for não metálico, que satisfaça o ensaio de fio incandescente especificado na norma ABNT NBR IEC 60695-11 na temperatura de 750 ºC Se o quadro não metálico for instalado em parede oca (por exemplo, dry wall), a temperatura passa a ser de 850 ºC.
Nos ambientes acessíveis ao público com área superior a 100 m2 devem ser previstos no mínimo dois circuitos terminais de iluminação.
Lâmpadas instaladas em ambientes acessíveis ao público, situadas a uma altura inferior a 2,50 m do piso acabado, devem ser dotadas de protecao específica contra impactos ou outras solicitações mecânicas.
Todo circuito terminal que sirva ambientes acessíveis ao público deve ser protegido contra sobrecorrentes por dispositivo que assegure o seccionamento simultâneo de todos os condutores fase (ou seja, não se admite fusível – nesses circuitos terminais).
NBR 17193 SISTEMAS DE COMBATE A INCÊNDIOS – SCI PARA
INSTALAÇÕES COM SISTEMAS FOTOVOLTAICOS | Por Marcos Rogério
BIPV – AS EXIGÊNCIAS DE PROTEÇÃO ALÉM DO CONCEITO ARQUITETÔNICO
Nas edificações BIPV – Sistemas Fotovoltaicos Integrados a Construção, onde os módulos FV passam a integrar a envoltória da construção, a aplicação da NBR 17193 deve ser tratada como requisito de projeto desde a concepção arquitetônica. Diferentemente de um sistema FV aplicado sobre uma cobertura ou estrutura, o BIPV substitui ou compõe elementos de fachada, brises, guarda-corpo ou revestimento externo. Com isso, a instalação elétrica deixa de ter um fácil acesso e passa a ficar incorporada ao sistema construtivo sem acesso direto aos componentes após o fechamento da fachada.
Em 1.1 somos informados que a norma “se aplica a segurança contra incêndios em instalações fotovoltaicas em edificações, suas envoltórias e áreas de risco associadas.” Em fachadas BIPV, a aplicação da NBR 17193 precisa ser integrada as normas de reação ao fogo dos materiais aplicados nas edificações e desempenho de sistemas externos da fachada (NBR 16626). O objetivo não deve ser apenas garantir geração de energia, mas assegurar que a solução não introduza riscos inaceitáveis de choque e arco elétrico, ignição de materiais combustíveis ou propagação vertical de chamas.
Exemplos típicos de aplicação incluem fachadas com vidro fotovoltaico laminado, brises fotovoltaicos, guarda-corpos solares em varandas, revestimentos opacos geradores de energia em fachadas ventiladas. Em todos esses casos, o modulo FV deixa de ser apenas equipamento elétrico; ele participa do desempenho da fachada e deve ser analisado como parte do sistema construtivo.
Um dos pontos críticos e a protecao de pessoas contra o choque elétrico. Enquanto houver irradiância, os módulos FV podem manter tensão c.c. mesmo com o disjuntor c.a. desligado. Diferente dos sistemas convencionais, no BIPV os condutores ficam ocultos na fachada, atras de vidros, perfis metálicos, câmaras ventiladas ou selagens. Essa condição torna impossível depender apenas de procedimentos manuais de desconexão em uma emergência.
Por essa razão, o uso de RSD (sistema de desligamento rápido) deve ser considerado essencial para a protecao em fachadas BIPV. O RSD reduz rapidamente a tensão dos circuitos FV para níveis mais seguros após o acionamento do comando de emergência, limitando a exposição de equipes de manutenção, bombeiros e usuários. Em uma fachada integrada, na qual não existe acesso prático aos componentes do FV, o RSD funciona como barreira de segurança indispensável entre a geração FV e as pessoas que precisam atuar na edificação.
E essencial que o projeto defina onde o RSD será instalado, como será acionado, quais trechos permanecerão energizados, o tempo de resposta esperado e identificar o sistema como prescrito em 8.1: “… todas as instalações que contenham SFV devem possuir placas indicativas e desenhos com detalhes físicos da instalação… “.
Além do choque elétrico, a prevenção de incêndio exige atenção as falhas de conexão e ao arco elétrico. Conectores de fabricantes diferentes, crimpagem inadequada, umidade, isolação envelhecida, esforços mecânicos e cabos pressionados por perfis podem gerar aquecimento e ignição. Como esses pontos podem ficar inacessíveis após a montagem da fachada, o controle de qualidade deve ocorrer antes do fechamento do sistema.
Em fachadas ventiladas, o efeito chaminé merece cuidado especial, pois o fluxo de ar na cavidade pode acelerar a propagação vertical das chamas (Fig.1). A norma prescreve em 4.2.1 e 4.2.4 que a seleção dos materiais deve considerar classificação de reação ao fogo e compatibilidade com o uso em envoltórias.
A propagação de incêndio em fachadas BIPV deve ser analisada como desempenho do conjunto, e não apenas do modulo FV isolado. O projeto deve evitar continuidade vertical de materiais combustíveis, prever barreiras corta-fogo entre pavimentos, selagens adequadas nas passagens de cabos, interrupções de cavidade conforme Fig.2, protecao de aberturas e ser compatível com a compartimentação da edificação.
A aplicação adequada da NBR 17193 em BIPV depende, então, de coordenação entre arquitetura, elétrica, fachada, segurança contra incêndio e operação predial. Com essa abordagem, a edificação poderá produzir energia limpa sem comprometer a segurança dos ocupantes, das equipes de manutenção e dos agentes de emergência.

Fig. 1 – Sem barreiras / Fig. 2 – Com barreiras
SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE | Por Aguinaldo Bizzo
PERSPECTIVAS COM A NOVA NR-10
A atualização da NR 10 e resultado de um processo iniciado ha
quase seis anos no âmbito da CTPP (Comissao Tripartite Paritária Permanente), reunindo representantes do governo, empregadores e trabalhadores. Mais do que revisar dispositivos técnicos, procurou-se adequar a norma as transformações ocorridas no setor elétrico nas últimas duas décadas, incorporando novos cenários de risco, a evolução das tecnologias e da matriz energética (solar, eólica, carros elétricos, outros), além da necessidade de alinhamento com a atual estrutura das Normas Regulamentadoras, especialmente a NR-1.
Em um cenário marcado pela expansão de novas tecnologias, pela diversificação das fontes de energia e pela crescente complexidade das instalações elétricas, a prevenção também precisou evoluir. E nesse contexto que surge a nova redação da NR-10 (Segurança em Instalações Elétricas e Serviços em Eletricidade). Publicada pelo TEM (Ministério do Trabalho e Emprego) por meio da Portaria no 737, de 29 de maio de 2026, a revisão representa a mais ampla atualização da norma em mais de duas décadas.
Embora sua vigência esteja prevista apenas para junho de 2027, o texto já impõe as empresas a necessidade de revisar processos, documentos, capacitações e critérios técnicos para garantir conformidade e maior protecao aos trabalhadores.
Além de incorporar novos requisitos, a norma reforça uma mudança de conceito: a gestão do risco elétrico passa a estar integrada ao GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais), alinhando-se a NR-1 e consolidando a hierarquia das medidas de prevenção. A prioridade passa a ser a eliminação do perigo por meio de soluções de engenharia e da desenergização das instalações, antes da adoção das medidas coletivas, administrativas e do uso de EPI (Equipamento de Protecao Individual).
A revisão atualiza definições técnicas, reorganiza treinamentos, amplia exigências relacionadas ao risco de arco elétrico, altera critérios para documentação e incorpora novos requisitos para diferentes tipos de instalações e sistemas elétricos.
A atualização representa um marco histórico justamente por tornar a norma mais abrangente e compatível com a realidade atual das atividades desenvolvidas com eletricidade. A revisão incorpora novas tecnologias, aperfeiçoa os critérios de gestão dos riscos elétricos, fortalece o planejamento das atividades e amplia a protecao para trabalhadores que antes não eram contemplados de forma clara, como profissionais de telefonia e telecomunicações que atuam em redes compartilhadas ou em proximidade de instalações elétricas.
Promove uma transformação estrutural, altera a forma como as organizações devem enxergar a segurança elétrica, onde a própria denominação da norma deixa evidente essa mudança ao deslocar o foco para a segurança das instalações elétricas. “A eletricidade deixou de ser apenas um bem de consumo e passou a ser matéria-prima dos processos produtivos. A principal mudança de paradigma e compreender que a segurança começa na construção de instalações elétricas seguras”.
Na prática, isso significa que a prevenção deixa de estar centrada apenas no comportamento do trabalhador e passa a começar ainda na fase de projeto das instalações. A nova NR 10 determina que os memoriais descritivos considerem as influências externas previstas nas normas técnicas da ABNT, os critérios de segurança das instalações de baixa e média tensão, os estudos de energia incidente e de classificação de áreas, quando aplicáveis, além de outras medidas de engenharia necessárias para reduzir a exposição aos riscos elétricos.
Também passa a incorporar, de forma explicita, requisitos técnicos das normas ABNT NBR 5410, para instalações elétrica de baixa tensão, da ABNT NBR 14039, para instalações de média tensão, e referencias internacionais relacionadas ao gerenciamento do risco de arco elétrico.
Por Paulo Barreto; Marcos Rogério; Aguinaldo Bizzo em revista O Setor Elétrico.
