Práticas Recomendadas para a classificação de áreas das instalações na indústria do petróleo e gás

SINOPSE: O documento API RP 505:2025 é uma Prática Recomendada que apresenta diretrizes para classificar ZONAS com potencial de formação de atmosferas explosivas (Zona 0, Zona 1 e Zona 2) em instalações da indústria de petróleo e gás. Essa classificação é essencial para determinar quais tipos de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex” e métodos de instalação são adequados em cada área de risco. Estas Práticas Recomendadas requerem o julgamento de engenharia para aplicação em cada caso.

A Prática Recomendada API RP 505:2025 é um documento técnico publicado pelo American Petroleum Institute (API) cuja principal finalidade é orientar a classificação de áreas em instalações da indústria do petróleo, quanto ao risco de atmosferas explosivas e à seleção de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex” adequados, com base em seu EPL (Equipment Protection Level).

O objetivo das Práticas Recomendadas (RP) indicadas no API RP 505 é apresentar diretrizes para a classificação de locais como ZONA 0, ZONA 1 e ZONA 2 em instalações da indústria do petróleo para a seleção e instalação de equipamentos de instrumentação, automação, telecomunicações, elétricos e mecânicos “Ex”.

O API RP 505 não substitui normas nacionais publicadas pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas ou internacionais, como a Série IEC 60079, publicada pela IEC (International Electrotechnical Commission), mas complementa e harmoniza a classificação de áreas nas indústrias de petróleo e gás, em particular nos casos em que essas outras normas são referenciadas no projeto.

O API RP 505 é uma Prática Recomendada que apresenta diretrizes para classificar zonas com potencial de atmosferas inflamáveis (Zona 0, Zona 1 e Zona 2) em instalações de petróleo e gás. Essa classificação é essencial para determinar quais tipos de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex”, sistema de fiação e métodos de instalação são seguros em cada área de risco.

Exemplo de instalação de equipamentos de processo em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás

O API RP 505 Edição 2025 incorpora avanços tecnológicos e lições aprendidas de incidentes, além de se alinhar com normas internacionais, como a IEC 60079-10-1 – Classificação de áreas contendo gases inflamáveis. O API RP 505 representa Práticas Recomendadas e requer a aplicação de análises de engenharia para a aplicação em cada caso, dependendo do tipo dos equipamentos de processo envolvidos e das condições particulares de cada instalação.

Exemplo qualitativo de desenho de CORTE de classificação de áreas
Exemplo de desenho de CORTE de classificação de áreas
Exemplo de desenho de PLANTA de classificação de áreas
Exemplo de instalação de equipamentos de processo em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás

A atualização de 2025 do API RP 505 reforça a segurança operacional por meio de:

  1. HARMONIZAÇÃO GLOBAL: Alinha o setor de óleo e gás às normas internacionais da IEC (International Electrotechnical Commission) e às normas brasileiras da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas , facilitando a conformidade em projetos internacionais.
  2. SELEÇÃO DE EQUIPAMENTOS “Ex”: Permite um refinamento técnico na escolha de equipamentos elétricos, de automação e mecânicos com certificação “Ex”, com base nos Níveis de Proteção de Equipamento (EPL) adequados.
  3. GESTÃO DE ATIVOS: Otimiza a manutenção e a segurança contra explosões, protegendo vidas, o meio ambiente e o patrimônio da empresa.
  4. REDUÇÃO DE CUSTOS: Evita o superdimensionamento (ou sub-dimensionamento) de sistemas de proteção, focando recursos onde o risco é real
Exemplo de instalação de transmissor de nível 2-WISE em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás
Exemplo de instalação de equipamentos de processo em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás

As recomendações para determinar o grau e a extensão de áreas classificadas como Classe I, Divisão 1 e Divisão 2 são abordadas no Documento API RP 500, Prática Recomendada para Classificação de Instalações Elétricas em Instalações da indústria do petróleo, Classificadas como Classe I, Divisão 1 e Divisão 2.

O API RP 505 SUBSTITUI o sistema de Classes/Divisões (típico da NEC 500) pelo sistema de ZONAS (Zona 0, 1, 2), amplamente aplicado internacionalmente (Série IEC 60079 – Atmosferas explosivas), facilitando a harmonização GLOBAL de projetos em áreas classificadas.

Em grandes unidades como refinarias, plataformas offshore, terminais e pipelines, o API RP 505 é uma referência técnica consolidada que assegura coerência entre disciplinas de projeto (instrumentação, automação, elétrica, mecânica, processo, segurança).

Instalações elétricas e mecânicas “Ex” em áreas onde líquidos, gases ou vapores inflamáveis são produzidos, processados, armazenados ou de outra forma manuseados podem ser adequadamente projetadas se os locais de potenciais fontes de liberação e acumulação forem claramente definidos.

Exemplo de instalação de painel de distribuição de circuitos de força e controle “Ex” instalado em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás

As Práticas Recomendadas apresentadas no API RP 550 são aplicáveis à classificação de locais para equipamentos elétricos instalados tanto de forma temporária como permanente. Destina-se à aplicação onde possa haver risco de ignição devido à presença de gases inflamáveis, vapores produzidos por líquidos inflamáveis ou vapores produzidos por líquidos combustíveis misturados com o ar em condições atmosféricas normais.

O documento API RP 505 é uma Prática Recomendada, não uma “Norma”, sendo reconhecida mundialmente como “boa prática de engenharia”.

Condições atmosféricas normais são definidas como condições que variam acima e abaixo dos níveis de referência de 101,3 kPa (1,0 atm / 1,0 bar) e 20 °C, desde que as variações tenham um efeito insignificante nas propriedades de explosão dos materiais inflamáveis.

Existem outras publicações que estabelecem critérios de classificação de áreas que podem diferir daqueles apresentados no API RP 505, publicado pelo API – American Petroleum Institute . Estes documentos, Normas ou práticas recomendadas, publicadas, por exemplo, pela IEC (International Electrotechnical Commission) , ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas ou NFPA devem ser consultados para obter os requisitos de instalação, técnicas de proteção e métodos de fiação que se alinham com os critérios de classificação de áreas aplicados.

Os seguintes itens estão além do escopo do API RP 550:

  1. sistemas de tubulação utilizados para gás natural odorizado, utilizado como combustível para cozinhar, aquecer, ar condicionado, lavar roupas e aparelhos similares;
  2. catástrofes como rupturas de poços ou vasos de processo. Estes eventos extremos não são previsíveis e exigem medidas de emergência no momento da ocorrência e aplicação de sistemas de gerenciamento de crises;
  3. a adequação dos locais para a colocação de equipamentos que podem causar fontes de ignição;
  4. classificação para locais contendo poeira combustível, fibras inflamáveis ou partículas em suspensão;
  5. instalações subterrâneas em minas de carvão;
  6. áreas para processamento e fabricação de explosivos e materiais pirofóricos; e
  7. áreas onde a presença de névoa inflamável pode dar origem a um risco imprevisível e que requer considerações específicas.

Recomendações para determinar o grau e a extensão de locais classificados para exemplos específicos de situações comumente encontradas em instalações das indústria do petróleo são apresentadas da Seção 8 à Seção 14.

Exemplo de desenho de CORTE de classificação de áreas para instalações da indústria do Petróleo & Gás
Exemplo de desenho de CORTE de classificação de áreas para instalações da indústria do Petróleo & Gás

Embora seja importante que as classificações de área em refinarias, instalações de produção e perfuração e instalação de oleodutos sejam consistentes até certo ponto, existem diferenças nas instalações de produção, perfuração, transporte e refino.

Exemplo de instalação de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex” em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás

Algumas diferenças incluem as condições de processo, os tipos e as quantidades de produtos manuseados; o tamanho físico das instalações típicas; e as diferentes práticas de alojamento e abrigo.

A Seção 8 inclui aplicações comuns a vários dos tipos de instalações descritas da Seção 9 à Seção 14.

A Seção 9 é aplicável a locais nos quais gases e vapores de petróleo inflamáveis e líquidos inflamáveis voláteis são processados, armazenados, carregados, descarregados ou de outra forma manuseados em refinarias de petróleo.

Exemplo de instalação de equipamentos em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás
Exemplo de instalação de equipamentos de processo em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás

A Seção 10 aplica-se a locais próximos a plataformas de perfuração de petróleo e gás, plataformas de workover e instalações de produção em terra e em plataformas marítimas fixas (fundadas no fundo, não flutuantes) onde gás inflamável e líquidos voláteis de petróleo são produzidos, processados (por exemplo, comprimidos), armazenados, transferidos (por exemplo, bombeados) ou de outra forma manuseados antes de entrarem nas instalações de transporte.

A Seção 11 aplica-se a locais em unidades móveis de perfuração offshore (MODUs).

Exemplo de instalação de equipamentos de processo em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás

A Seção 12 aplica-se a locais próximos a plataformas de perfuração de petróleo e gás, plataformas de workover e instalações de produção em unidades flutuantes de produção (FPU), como plataformas de perna tensionada (TLPs), sistemas flutuantes de produção (FPS), sistemas flutuantes de produção, armazenamento e descarga (FPSOs), boias de amarração de perna de ancoragem única (SALM), estruturas de caixão, longarinas e outras estruturas flutuantes onde gases inflamáveis e líquidos voláteis de petróleo são produzidos, processados armazenados, transferidos ou de outra forma manuseados antes de entrarem nas instalações de transporte.

Exemplo de instalação de equipamentos de processo em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás
Exemplo de desenho de CORTE de classificação de áreas para instalações da indústria do Petróleo & Gás
Exemplo de desenho de CORTE de classificação de áreas para instalações da indústria do Petróleo & Gás

A Seção 13 aplica-se a instalações onshore e offshore que lidam com a entrega de líquidos de petróleo inflamáveis ou combustíveis ou gases inflamáveis. As instalações de oleodutos podem incluir estações de bombeamento e compressão, instalações de armazenamento, áreas de coletores, locais de válvulas e áreas de direito de passagem de oleodutos.

A Seção 14 aplica-se a instalações de processamento, manuseio e armazenamento de gás natural liquefeito (GNL).

Exemplo de instalação de equipamentos de processo em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás

Dentre as diversas empresas de petróleo multinacionais que operam no Brasil, como por exemplo SBM Offshore, MODEC e Petrobras, que utilizam o API RP 505 e outros documentos e normas sobre classificação de áreas, pode ser citado o exemplo da Norma de Classificação de áreas elaborada pela Petrobras. Na década de 1990 foram elaboradas pela Petrobras diversas normas sobre classificação de áreas com gases inflamáveis, para aplicações específicas nas áreas de #refino, #exploração, #produção e #armazenamento, com base no API RP 505. Em 2017 estas diversas normas da Petrobras foram #canceladas e #substituídas pela Norma PETROBRAS N-2918 – Atmosferas explosivas – Classificação de áreas, a qual engloba requisitos para áreas com a presença de #gases inflamáveis e #poeiras combustíveis.

A Norma Petrobras N-2918 é uma norma “PÚBLICA” e está disponível para download aberto e gratuito na página “Canal Fornecedor” daquela Empresa.

Esta Norma foi elaborada com base nas boas práticas acumuladas por aquela Empresa sobre o tema “classificação de áreas” desde os anos 1940, incorporando e consolidando requisitos indicados em diversas normas sobre classificação de áreas, incluindo, API RP 505, NFPA 497, IGEM SR 25, NFPA 499, ABNT NBR IEC 60079-10-1/10-2.

Exemplo de instalação de equipamentos de processo em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás

PONTOS DE DESTAQUE PARA A CLASSIFICAÇÃO DE ÁREAS PARA A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO:

  • O API RP 505 é utilizado em plataformas offshore, refinarias, plantas de processamento, dutos, tanques de armazenamento e outras instalações da indústria do petróleo onde há liberação de hidrocarbonetos ou substâncias inflamáveis
  • O API RP 505 auxilia na seleção de equipamentos de automação, instrumentação, telecomunicações, elétricos e mecânicos “Ex”, bem como na definição de requisitos de instalação, inspeção e manutenção “Ex”
  • A API RP 505 é uma Prática Recomendada, não uma norma “obrigatória”, sob o ponto de vista legal, mas é mundialmente reconhecida como boa prática de engenharia por diversas Empresas multinacionais da indústria do petróleo, inclusive no Brasil
  • A aplicação das Práticas Recomendadas apresentadas requer uma análise específica de riscos das plantas;
  • Ela é frequentemente utilizada em conjunto com normas publicadas pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, IEC (International Electrotechnical Commission) e NFPA
  • A API RP 505/2025 é essencial para projetos, operações e manutenção segura em indústrias com atmosferas explosivas. Sua correta aplicação salva vidas, protege ativos e assegura a continuidade operacional, sendo uma referência crítica para engenheiros, inspetores e gestores de risco.
Exemplo de instalação de equipamentos de processo em áreas classificadas da indústria do Petróleo & Gás

Em caso de dúvidas ou de solicitações de esclarecimentos sobre instalações elétricas “Ex”, entre em contato com a Universidade Abracopel, utilizando a referência “Atmosferas explosivas”: https://abracopel.org/universidade-abracopel/

Por Roberval Bulgarelli (13/04/2026)

Engenheiro eletricista com mestrado em proteção de sistemas elétricos de potência; Consultor sobre equipamentos e instalações em atmosferas explosivas; Organizador do Livro “O ciclo total de vida das instalações em atmosferas explosivas”; Coautor do Livro “Segurança intrínseca – Equipamentos e instalações em atmosferas explosivas”, Coautor do Livro “Instrumentação Industrial”, Coordenador da Comissão de Estudo CE 003.065.001 (Medição, controle e automação para a indústria de processo); Membro de Grupos de Trabalho dos Comitês Técnicos TC 31 (Equipment for explosive atmospheres) e TC 95 (Measuring relays and protection equipment) da IEC; Condecorado com o prêmio internacional de reconhecimento IEC 1906 Award.